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Escolas vizinhas ao Centro Olímpico do Ceará possuem estrutura esportiva precária

Ao trafegar pelo Castelão, é possível avistar, de longe, o imponente estádio de futebol. Moradores do bairro já se acostumaram a ter como vizinho o esporte mais amado do país. Crianças e adolescentes sonham em ser jogadores de futebol e buscam, no esporte, um futuro melhor. Para isso, precisam praticar o esporte, mas não encontram estrutura adequada nas escolas que frequentam.

Num intervalo de três anos, o Castelão recebeu o investimento de R$ 486 milhões na reforma do estádio do bairro e R$ 227 milhões na construção do Centro de Formação Olímpica, que quando for concluído neste mês de março atenderá a 26 modalidades olímpicas e não olímpicas. A estrutura moderna contrasta com a situação do esporte nas escolas públicas da área: faltam quadras (algumas não são cobertas), estrutura adequada e até professores para viabilizar a prática de esportes.

O Tribuna do Ceará visitou 10 escolas em um raio de 5 quilômetros do Estádio Castelão e do Centro de Formação Olímpica, para conferir a situação delas. Oito possuem quadras, porém duas não têm cobertura e necessitam de reforma. As escolas Paulino Rocha e Zaira Monteiro Gondim sequer possuem quadra, por isso, os alunos recebem aulas “teóricas” de Educação Física. Confira a situação de cada escola, além da resposta do poder público sobre o caso.

- Escola Municipal Maria de Carvalho Martins
Avenida Dedé Brasil, 4.300 – Serrinha
A escola possui quadra de esportes que está em reforma para cobrir algumas goteiras no teto. “Os alunos utilizam a quadra durante a aula de educação física e no intervalo”, informa a coordenadora Eveline Andrade. A Secretaria Municipal da Educação (SME) aponta que já dispõe de uma equipe de infraestrutura que irá atender as demandas necessárias nas quadras das escolas Professora Maria Stella Cochrane Santiago e Maria de Carvalho Martins.

















Escola Municipal Professora Maria Stella Cochrane Santiago
Rua Antônio Farias, 121 – Castelão
Apesar de possuir aparelhos eletrônicos como câmeras de segurança e ar-condicionado, quando se trata de esportes a escola não possui estrutura adequada. A quadra é descoberta e possui buracos no piso. Dessa forma, quando chove, esses buracos são inundados, tornando perigosa a prática de esportes no local.

“É claro que precisa de uma reforma, mas mesmo assim a gente improvisa”, minimiza a diretora da instituição Greoleide Sousa. Apesar das dificuldades, os alunos têm aulas esportivas duas vezes por semana, quando são praticados jogos como futebol, vôlei, carimba e atletismo.

De acordo com a professora de Educação Física Celma Fonseca, os alunos buscam alternativas para praticar seus esportes preferidos. “Quando tinha a Vila Olímpica no Castelão, eles recebiam nossos alunos no contra-turno e ofereciam escolinhas de futebol e basquete. Com a demolição do complexo, estagnou. Daí, eles buscam por escolinhas de futsal nas redondezas”, indica.



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Escola não possui quadra de esportes, apenas um pátio e duas mesas de pingue-pongue. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Escola Estadual Paulino Rocha
Rua Professor José Silveira, 528 – Castelão
A escola não possui quadra de esportes, então as atividades físicas são realizas no pátio, onde há duas mesas de pingue-pongue. De acordo com a coordenadora Cláudia Santos, o prédio passará por uma reforma para melhorar sua estrutura. “Os pais já estão cientes que vamos ser transferidos para outra escola enquanto a nossa será reformada”, justifica.

De acordo com a Secretaria de Educação, haverá um investimento de R$ 12 milhões, para a escola ser verticalizada, tendo, além do térreo, mais dois pavimentos. Contará com ginásio poliesportivo, 12 salas de aula, auditório, refeitório, laboratórios, estacionamento e áreas de vivência. Enquanto acontece a obra, os alunos serão encaminhados a outro espaço escolar. As datas de transferência para o prédio provisório e de início do empreendimento serão informadas à escola com o fim do processo licitatório/contratação da empresa responsável pela reconstrução da unidade escolar.

- Escola Estadual Constança Távora
Rua Jacarandá, 3.737 – Boa Vista, Castelão
A escola possui quadra, mas não é coberta. Além disso, o piso tem alguns declives que podem acidentar os alunos durante os jogos. Por não ter cobertura, quando chove as atividades físicas são suspensas, pois há risco de acidentes. No prédio, há também um campo, porém a grama não é aparada, e a piscina está desativada devido a falta de estrutura.

Ainda assim, a escola recebe o projeto Mais Educação e tem grupos de Capoeira cujos integrantes são os próprios alunos e alguns convidados. As coordenadoras Andreia Barroso e Emília Aquino aguardam reformas para que os alunos obtenham melhor desempenho esportivo. A Secretaria de Educação informa que há ações previstas de melhoria nessa escola, no valor de R$ 30 mil. Com relação à piscina, a equipe de engenharia da Seduc analisa o caso.
















Seria melhor se tivesse arrumado, mas a gente se vira porque o verme é grande. (Marcos Félix, 15 anos)

- Escola Estadual Antônio Dias Macedo
Manuel Nunes Siqueira, 340 – Dias Macedo
Enquanto algumas escolas necessitam de melhorias, outras têm estrutura suficiente para atender os alunos e comunidade. Esse é o caso da Antônio Dias Macedo, que tem duas quadras, uma descoberta e outra coberta, com arquibancada. Com dois professores de Educação Física, os alunos têm aulas esportivas duas vezes por semana. “Pela manhã, a quadra é utilizada por grupos da terceira idade. Nos horários livres, como noite e fim de semana, ela é usada tanto para os ensaios da banda da escola como para a prática de capoeira e futebol, pela comunidade”, explica a diretora Suely Holanda.















- Escola Municipal Zaira Monteiro Gondim
Pedro Aguiar, 315 – Serrinha
Nessa instituição a situação é crítica: não há quadra de esportes, e por isso alunos têm apenas aulas teóricas de Educação Física. A prática só acontece duas vezes ao ano, quando a escola promove eventos comemorativos, como acontece no Dia do Estudante. Para isso, a diretora leva os jovens até uma praça no bairro vizinho (Sumaré), que possui quadra, e desenvolve atividades esportivas como vôlei e atletismo. “É uma pena que seja apenas a cada seis meses, mas é o que a gente pode fazer. Por eles, seria todo sábado”, lamenta a diretora Fernanda Maciel. A equipe de infraestrutura da SME informou que estuda a possibilidade de construção de uma quadra para a unidade.





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Escola Municipal Integrada 2 de Maio



Av. da Saudade s/n – Passaré













Aqui a prática de esporte começa para conseguir entrar na escola. Pode-se chamar de natação com obstáculos. Ao chegar às proximidades da escola é possível avistar um verdadeiro rio. Para chegar até o objetivo, a porta, há duas opções: se molhar ou tentar contorná-lo. Para facilitar o percurso, os próprios alunos improvisaram um caminho de pedras para chegaram não molharem os pés. Depois do contorno e do desvio de obstáculos, finalmente chega-se à instituição.



Mas se tratando de esporte propriamente dito, a escola têm três ambientes: campo de futebol, campo de vôlei e quadra coberta. Devido a estrutura que possui, a escola costuma receber a comunidade durante os fins de semana, desde que agende com a coordenação. Ao ser questionado sobre o rio que se forma quando chove, o coordenador José de Saboya brinca: “Era pior, acredita? Já vieram várias reportagens aqui, já tentaram resolver, mas sempre que chove fica assim”, relata.

Sobre a questão das chuvas, a Superintendência das Escolas Estaduais de Fortaleza (Sefor) tem conhecimento do caso e informa que está adotando providências necessárias para resolver o problema junto à Regional 6, por tratar-se de infraestrutura da rua em frente à escola.



















- Escola Municipal Raimundo de Moura Matos
Av. Dois de Maio, 1.300 – Jardim União
Com boa estrutura, a escola possui quadra coberta que atende às necessidades dos alunos. As aulas de Educação Física são realizadas uma vez por semana, sendo uma aula teórica e uma prática. O projeto estadual Viva Gente utiliza a quadra da escola para realizar suas atividades no fim de semana. De acordo com a coordenadora Carla Cesiana, a quadra necessita de alguns ajustes. “Não é nada que comprometa as aulas, mas podia melhorar”, pontua.



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Escola Municipal Francisco Andrade Teófilo Girão
Rua Unidos Venceremos, 2.040 – Passaré
Nota 10 no quesito incentivo ao esporte, a escola tem quadra bem equipada e durante o fim de semana é aberta à comunidade mediante autorização prévia. De acordo com o vice-diretor Teodorico Júnior, o local é utilizado para a prática de esportes como vôlei, karatê e futebol.



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Escola Municipal Paulo Sérgio de Sousa Lira
Rua Itaboraí, 264 – Passaré
A escola tem quadra coberta com boa iluminação, mas não possui professores de Educação Física. Por isso, quem ministra as aulas esportivas são os professores do dia a dia. Como não possuem conhecimento específico, chamam a aula de “atividade direcionada”. À noite, não há prática de esportes porque não há professores. Segundo a coordenadora Francisca Sousa, o horário noturno é o que necessita de maior atenção, pois os jovens ficam ociosos.

“Eles adoram o esporte e precisam se engajar nesses projetos para fugir das drogas. Nesse bairro, a droga tem sido uma coisa absurda, e eles são tão jovens, é uma pena. A única solução para que eles abandonem as drogas é a educação”, destaca. Para abordar o assunto, a escola organiza palestras com profissionais, onde eles explicam os prejuízos que as drogas podem causar. “Eles ficam bem atentos, entendem que estamos falando isso pro bem deles”, comenta a coordenadora.

Sobre a falta de professores na unidade, a Secretaria Municipal de Educação minimizou o problema. “De acordo com a Resolução Nº 7, do Conselho Nacional de Educação (CNE), os componentes curriculares Educação Física e Artes, ministrados para alunos que cursam até o 5º ano, poderão estar a cargo do professor de referência da turma. Para os alunos do 6º ano em diante, o profissional de Educação Física é obrigatório, o que já é cumprido integralmente pela SME”.

Futuro

De acordo com a administração do Centro de Formação Olímpica (CFO), o complexo é composto de três pilares. Além do esporte de alto nível, destacam-se as ações de desporto educacional, para as escolas públicas, e de desporto participativo, abrindo o espaço para a comunidade. A administração garante que as escolas participarão do dia a dia do espaço, em articulação realizada pela Sesporte com a Seduc, e também a população do bairro Castelão e adjacências.



A administração ressalta que apenas 20% desse investimento foi feito com participação do governo do Estado. Para a reforma do Castelão, os recursos vieram do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e da Copa. Já para a construção do CFO, os investimentos vieram do Programa Brasil Medalha. O prazo de conclusão do prédio é 31 de março.




Fonte: Jornal Diario do Nordest
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