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Tendência é que Enem seja digital, diz ex-coordenadora do Inep

Ex-coordenadora-geral de Instrumentos e Medidas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a doutoranda em Psicologia Camila Karino defende que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) seja uma prova online. A ideia foi também defendida pelo ex-ministro da Educação, Cid Gomes (Pros), enquanto geriu a pasta.

Segundo Camila, os alunos poderiam agendar as datas para se submeterem ao exame e os resultados seriam divulgados com mais velocidade. Ela conversou com O POVO na última semana, quando esteve em evento em Fortaleza.

OPOVO - Existe a proposta de que o Enem seja realizado online. De que forma isso se daria?

Camila Karino - Transformar o Enem numa prova online é uma tendência do exame, é uma tendência mundial. O Inep pensa nisso há um tempo, acompanha o que está ocorrendo de avaliação no mundo e tem feito esforços internos para que o Brasil esteja à frente disso. É de imediato? Eu não sei. Não é só uma questão de crescimento de avaliação. Tem de ter um crescimento em termos de País. Quando falamos de aplicação em computador, temos de ter polos no País todo que possam suportar essas aplicações. E, se for online, a gente tem uma infraestrutura de Internet que possa permitir que realmente seja uma aplicação nacional? O Enem é muito grande. Qualquer medida que você tome em um exame desse porte, é preciso cautela. Você tem de trabalhar bem o cenário antes de qualquer modificação. Não é uma tarefa fácil. É um desafio para o Inep pensar em como o exame futuramente pode vir a ser no computador. No exterior, quando uma aplicação é no computador, o aluno não leva as questões da prova. Hoje, eu não sei se a sociedade já aceitaria fazer uma prova de seleção em que você não está levando o material embora. Outra diferença é que, não necessariamente, as provas vão ser iguais. A gente pode estar concorrendo a uma mesma vaga e fazer provas diferentes.

OP – De que forma o Brasil deve se encaixar nas provas online?

Camila – O Brasil quer se encaixar. O mundo está mudando para ser mais tecnológico. Aplicação no computador tem algumas vantagens para o estudante: ele pode, por exemplo, agendar sua aplicação, não precisa ser tudo no mesmo dia. Mas tem outas coisas que o Brasil não tem a cultura e a gente deveria desenvolver. Estamos passando por instrumentos diferentes, as questões são equiparáveis e a gente pode colocá-las todas numa mesma escala. Tem toda uma mudança de sociedade para que isso dê certo. Mas já temos algumas iniciativas. O Brasil participa do Pisa, que é o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. Nesse programa, estudantes de 15 anos são avaliados mundialmente e se verificam seus níveis educacionais. O Brasil se colocou como um País que vai fazer aplicação no computador, junto com outros países. Mas tem outros que não aceitaram ainda e declararam: “a gente vai continuar fazendo no papel”.

OP – No caso de o agendamento vir a ser usado, o aluno não teria a possibilidade de informar a outros candidatos como está sendo a prova?

Camila – Um dos requisitos para você ter uma aplicação (online) é a de ter vários cadernos diferentes e um banco muito grande de questões. Com isso, a possibilidade de aquela mesma questão cair para a pessoa com quem ele comentou é muito pequena. Existe, mas é mínima. A segurança estaria no tamanho de banco gigantesco que, mesmo que você fale que viu algumas questões, isso não seria suficiente para você ir bem na avaliação.

OP – Grandes escolas em todo o País, em particular aqui no Ceará, tiveram de se adaptar para que o aluno seja preparado para o Enem, que é a principal forma de ingressar nas universidades públicas. De que forma você avalia essa adaptação dos colégios?


Camila – A escola não tem que formar o aluno para um exame específico. Ela tem de formar o aluno. A educação que a gente dá em uma escola não é somente na questão de conteúdo. Ela tem um papel muito maior que isso, de formar cidadãos. É muito mais global que um único exame. Quando o Enem passou a ser usado pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a intenção do Governo era, sim, de democratização de acesso à educação superior. A oportunidade de acesso, antes, era muito mais restrita a um aluno de classe social mais alta, que tinha acesso a mais vestibulares, e isso acabava dando a ele maior oportunidade de acesso do que ao estudante de escola pública. A ideia de democratização de acesso é de dar oportunidade aos estudantes de concorrerem em vagas públicas. Mas todos precisam mostrar um domínio para conseguir.

OP – De que forma o Inep lidou com o escândalo do vazamento das questões em 2011?

Camila – A posição do Inep foi institucional. Ficou esperando os resultados das investigações. Quando se comprovou o vazamento de algumas questões, os itens foram excluídos do banco porque perderam o valor. E o Inep se colocou à disposição para o que fosse necessário. A gente teve de dar depoimentos, explicar o processo e conversar com o delegado que estava à frente para que a verdade fosse revelada e a Justiça fosse feita.
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