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Rússia acusa Obama de ter criado o Estado Islâmico

Mesmo com pouco divulgação no Brasil, as declarações do presidente Vladmir Putin mostram que existe muito mais por trás da guerra na Síria do que vem sendo mostrado pela imprensa.

Nos últimos dias, o presidente Barack Obama autorizou que fossem entregues nada menos que 50 toneladas de armas, munição e alimentos para grupos terroristas que lutam contra o governo sírio. Os americanos dizem que estes são “grupos moderados”. O Pentágono reconheceu que a CIA está apoiando grupos afiliados a Al-Qaeda na Síria, incluindo Frente Al-Nusra.

Segundo o jornal The New York Times, a Casa Branca apenas mostra sua incoerência em tentar considerar a existência de terroristas “bons” e “maus”. Obama limitou-se a dizer que visa apenas fortalecer a chamada “oposição moderada” ao regime do presidente Assad.

Porém, falhou em explicar como evitar que se cometa o mesmo erro de 30 anos atrás. Visando impedir o avanço russo no Afeganistão, os americanos sabidamente treinaram e armaram o grupo liderado por Osama Bin-Laden, que veio a se chamar posteriormente Al-Qaeda. Embora tenha tido sucesso em conter os russos, o mundo todo viu os resultados dessas ações.

Não se pode ignorar o fato que até 2014 o Estado Islâmico era conhecido como “Al-Qaeda no Iraque”. Esse rompimento com o seu grupo originário ocorreu com a proclamação do califado mundial, quando deixaram de ser ISIS (sigla em inglês para Estado Islâmico do Iraque e Síria).

O cenário parece estar se repetindo na Síria. Enquanto isso, o Conselho de Segurança da ONU, continua analisando a proposta de Rússia para a luta contra o terrorismo em todo o Oriente Médio. Até o momento nenhuma decisão oficial foi tomada. Esse é o mesmo Conselho que decidiu, em maio de 2012, por a Frente Al-Nusra na sua “lista negra” como uma aliada da al-Qaeda no Iraque.

Nesta segunda (12), a União Europeia pediu que a Rússia cesse imediatamente os bombardeios contra as posições da oposição moderada na Síria. Ministros das Relações Exteriores reunidos afirmaram que a intervenção “ameaça prolongar o conflito, minar o processo político, agravar a situação humanitária e aumentar a radicalização”.

Por sua vez, Putin tem se vangloriado de, em menos de um mês, ter feito mais que os americanos fizeram em quatro anos. Seus seguidos ataques aéreos podem ter acabado com quase metade da infraestrutura do Estado Islâmico.

Só que a Rússia também tem outros interesses em jogo. Afinal, a companhia petrolífera russa Soyuzneftegaz assinou com Assad um contrato de exploração petrolífera válido por 25 anos. A empresa é gerida por um antigo ministro da Energia e tem como um de seus principais acionistas o Banco Central da Rússia.

O que parece realmente estar em jogo é 1.7 bilhão de barris de petróleo e 3.4 bilhões de metros cúbicos de gás que estima-se haver na porção Oriental do Mar Mediterrâneo, entre Chipre e Israel.

Esse pode justamente ser o próximo passo na luta pelo poder na região. Se a Síria conseguir restaurar a paz, poderá tentar se “reconstruir” reivindicando as colinas de Golã, que perdeu para Israel em 1967 e que afirma ser “território ocupado”. Com isso, quem exploraria o petróleo seria a Rússia.

Enquanto o mundo aguarda pelos desdobramentos do “cabo de guerra” entre as duas potências mundiais, estudiosos apontam para a possibilidade de os conflitos no Oriente Médio serem o estopim para a Terceira Guerra Mundial.
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