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Crise em presídios. MPCE dialoga com detentos de Caucaia



Representantes do Ministério Público do Estado (MPCE) estiveram, na última sexta-feira, 22, na unidade prisional Desembargador Francisco Adalberto Barros de Oliveira Leal, conhecida como Carrapicho, em Caucaia (Região Metropolitana de Fortaleza). O POVO apurou que houve negociação com os detentos sobre remanejamentos internos. De acordo com uma fonte ligada ao MPCE, o ato não foi oficial.

A ação foi integrada entre Ministério Público, Coordenadoria do Sistema Penal do Estado (Cosipe) e Secretaria da Justiça (Sejus) para detectar os problemas na unidade. Em nota, o MPCE afirma que ouviu os internos, discutiu a adequação deles à Lei de Execuções Penais (LEP) e realizou ajustes internos.

O POVO apurou que, na última segunda-feira, 17, detentos da CPPL 2, em Itaitinga, também na RMF, buscaram funcionários da Sejus se identificando como membros da organização Família do Norte (FDN) e afirmaram que havia necessidade da transferência deles para Caucaia, com o objetivo de se juntarem aos Guardiões do Estado (GDE). Alegaram que as duas organizações seriam aliadas. A permanência da FDN causaria tumulto no Complexo de Itaitinga. No entanto, após a transferência, foi descoberto que a ação seria, na verdade, uma emboscada, que a fonte classificou como um “cavalo de Troia”, pois os detentos que se diziam do FDN chegaram e entraram em conflito com a GDE.

A Sejus afirmou que não há transferências previstas para os próximos dias. Sobre o realojamento na Caucaia, informou que isso é feito diariamente de acordo com a necessidade de cada presídio. Análise

A coordenadora do Centro de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro, cientista social Silvia Ramos, analisa o momento de diálogo em meio aos ataques como negativo, em termos de fortalecimento da lógica das facções, mas afirma que tudo o que preserva vidas é positivo. A pesquisadora indica que o Estado dê suporte à massa carcerária e evite que a facção GDE cresça, tendo força a nível nacional.

Silvia Ramos diz ainda que a aproximação do Estado com os detentos é importante, pois tira o poder das facções, que se valem de presídios superlotados e da falta de amparo jurídico da massa carcerária. Sobre o crescimento da GDE, mesmo sendo uma facção que tem menos de cinco anos e atuante apenas no Ceará, a especialista diz que “não adianta tapar o sol com a peneira e não falar deles”. E lembra que o Primeiro Comando da Capital (PCC) cresceu nacionalmente pois os gestores não admitiam que ele existia.

Para a cientista social, o que reduz o poder das facções é mudar o sistema penitenciário e parar de “entupir” as cadeias. Sílvia Ramos diz que, desde 2006, quando o PCC realizou uma série de ataques em São Paulo, sob a liderança do Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, não via ações com esse poder de articulação. Naquele ano, Marcola coordenou ataques a prédios públicos e coletivos.
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