Image and video hosting by TinyPic

Cientistas eliminam HIV do organismo de animais vivos pela primeira vez

Em um experimento feito pelos cientistas da Lewis Katz School of Medicine, em parceria com a Universidade de Pittsburgh, o vírus do HIV — causador da AIDS — foi inteiramente eliminado do organismo de camundongos que haviam sido infectados com células humanas.

Trata-se da primeira demonstração de que o tipo HIV-1 pode ser completamente removido de células infectadas usando uma poderosa técnica de edição de DNA conhecida como CRISPR/Cas9.


A técnica, desenvolvida pela bioquímica americana Jennifer Doudna e a microbiologista francesa Emmanuelle Charpentier consiste em uma espécie de ctrl+c/ctrl+v. Leia aqui a entrevista da GALILEU com Doudna.

Leia também:
+ "Ainda existe o preconceito contra o HIV, mas não é o mesmo de antes"
+ Este canal do YouTube mostra que é possível viver bem com HIV

A colaboração entre as duas começou quando Charpentier se apresentou para Doudna em um congresso e contou que estava pesquisando uma técnica chamada Crispr (sequências repetitivas no DNA de bactérias), que parecia auxiliar bactérias carnívoras a combater vírus que tentavam atacá-las.

A intenção da francesa era descobrir como o sistema de defesa dessas bactérias funcionava para destruí-lo e, consequentemente, curar as pessoas infectadas por elas. Mas, à medida que a pesquisa evoluiu, ficou claro que uma proteína específica, a Cas9, era a verdadeira estrela do processo: ela era capaz de recortar uma parte específica do DNA do vírus e juntar as duas pontas — algo similar ao ctrl+x, que você faz todo dia no computador. Elas, então, conseguiram adaptar o processo para outros organismos que não as bactérias. E revolucionaram a engenharia genética.

Em 2016, os cientistas que pesquisam HIV aproveitam a descoberta para publicar um estudo prévio que serviu como base para a nova descoberta.

“Nosso novo estudo é mais abrangente. Confirmamos os dados de nosso trabalho anterior e melhoramos a eficiência de nossa estratégia de edição de genes. Nós também mostramos que a estratégia é eficaz em modelos com outros dois tipos de roedores, um representando infecção aguda em células de rato e o outro representando infecção crônica ou latente em células humanas”, disse o co-coordenador da pesquisa Wenhui Hu, professor associado no Centro de Pesquisa de Doenças Metabólicas e do Departamento de Patologia da LKSOM.

A ideia agora é fazer os testes em primatas. “Nosso objetivo final é um ensaio clínico em pacientes humanos”, acrescentou Kamel Khalili, também co-coordenador da pesquisa.
Share on Google Plus

About NANDO CÉSAR