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Da fidelidade à mulher ao convívio respeitoso com judeus e muçulmanos: o legado de Billy Graham




O legado de Billy Graham continua a ser tema de muitos debates e artigos em veículos de mídia cristãos e seculares. A história de vida do evangelista vem sendo destacada de forma intensa desde seu falecimento, na última quarta-feira, 21 de fevereiro, assim como seus esforços para divulgar a Palavra de Deus sem criar inimizades com povos de outras religiões.

Na pré-adolescência, Billy Graham não gostava de comparecer aos cultos dominicais, segundo o o jornalista John Paluska, do portal Christian Headlines. “Ele preferia jogar beisebol”, informou. No entanto, um dia em 1934, um amigo o convenceu a participar de um avivamento e ele continuou retornando depois.



Finalmente, aos 15 anos de idade, Graham entregou seu coração ao Senhor. “Uma noite, quando o convite foi feito para aceitar Jesus, acabei dizendo: ‘Senhor, eu vou’. Eu sabia que eu estava indo em uma nova direção”, revelou o evangelista, anos depois.

Essa nova direção levou-o ao Florida Bible Institute (agora chamado Trinity College of Florida), onde Graham começou a estudar teologia. Ele continuou seus estudos no prestigiado Wheaton College em Chicago. Foi lá que conheceu sua esposa, Ruth Bell Graham (então chamada Ruth McCue Bell) e se casaram no verão de 1943.

A construção de seu legado começou desde então. Uma das características de Billy Graham era sua integridade como evangelista, marido e pai. Muito fiel à sua esposa, ele nem sequer conversava a sós com outra mulher, como forma de evitar até mesmo as menores especulações de um affair.


Sempre que possível, Graham só falava com outras mulheres na presença de sua esposa, para que ela e o mundo soubessem que ele não estava interessado em um caso fora do casamento. Essa conduta terminou apelidada de “Regra Billy Graham“, e foi um dos aspectos que se tornou um elemento básico de sua integridade e ministério.
Respeito

Billy Graham nunca vacilou ao manifestar sua fé publicamente, mesmo que isso causasse desconforto em outras lideranças religiosas, como no caso de seu discurso durante a posse do segundo mandato do presidente Bill Clinton, em 1997, quando orou abençoando o mandato “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Todavia, essa convicção não o impediu de nutrir relações respeitosas e laços de amizade com judeus e muçulmanos. “O que eu acredito que Billy Graham fez foi colocar um rosto positivo no evangelicalismo e nos evangélicos”, disse o rabino Yechiel Eckstein, fundador e presidente da Fraternidade Internacional de Cristãos e Judeus, baseados em Chicago e Jerusalém.

“Ele fez isso sem comprometer sua integridade como um cristão evangélico que acreditava que o que todas as pessoas precisam é serem salvas”, acrescentou Eckstein, que ao longo de 30 anos se correspondeu com Billy Graham através de cartas, apesar de nunca ter se encontrado com ele pessoalmente. “Quando se tratava do povo judeu, ele exibiu uma sensibilidade incrível”, pontuou.

Ao longo dos anos, Graham recebeu numerosos prêmios de organizações judaicas pelo impacto positivo de seu trabalho nas relações inter-religiosas, e também pelo apoio aos judeus soviéticos e ao Estado de Israel.

“No início da década de 1970, quando os diálogos cristão-judeus começavam a se fortalecer, Graham trabalhou ‘nos bastidores’ em muitas questões políticas de grande importância para os judeus”, disse o rabino A. James Rudin, ex-diretor de assuntos inter-religiosos do Comitê Judaico Americano.

“Eu acredito que Deus sempre teve um relacionamento especial com o povo judeu, como São Paulo sugere no Livro de Romanos”, afirmou Graham em 1973, em um artigo para a revista Christianity Today – veículo voltado aos cristãos que o evangelista ajudou a fundar. “Em meus esforços de evangelização, nunca me senti chamado a excluir os judeus por serem judeus, nem a excluir outros grupos particulares, culturais, étnicos ou religiosos”, salientou.

Com os seguidores de Maomé não foi diferente. Graham foi “mantido em alta consideração por pessoas de todas as fés, incluindo os muçulmanos”, disse Ibrahim Hooper, porta-voz do Conselho de Relações Americano-Islâmicas, com sede em Washington.

“Muitos muçulmanos leram as colunas de Graham e ouviram seus sermões”, disse Sayyid M. Syeed, da Sociedade Islâmica da América do Norte, baseada em Indianápolis.

Um exemplo da postura respeitosa de Billy Graham para com os muçulmanos se deu em 2001, após os ataques terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos. Ele se encontrou com o imã Muzammil Siddiqi, presidente do Conselho de Direito Islâmico da América do Norte, durante o Dia Nacional de Oração na Catedral Nacional em Washington, e compartilhou o palco com ele.

“Ele expressou compreensão e simpatia pelos muçulmanos e pelo islamismo”, relembrou Siddiqi a respeito de sua conversa naquele dia com Graham. “Expliquei-lhe que o que aconteceu não representa o Islã, e nós, como muçulmanos, o condenamos. Ele aceitou isso”, acrescentou o imã.

Em um gesto que tinha como objetivo acalmar os ânimos, Graham tirou a palavra “cruzada” do título de seus eventos quando o então presidente George W. Bush disse que havia iniciado uma “cruzada” para combater o terrorismo. O evangelista, então, passou a usar o termo “campanha”. Essa iniciativa foi vista com simpatia pelos muçulmanos, disse Syeed.

Em junho de 2017, em um de seus artigos, o evangelista deu mais uma amostra de como via a importância da boa convivência como parte do testemunho que o cristão deve dar: “O mundo, nos últimos anos, retrocedeu a uma espécie de barbarismo. Como o cristianismo prático diminuiu, a grosseria e a violência aumentaram. Vizinhos discutem com vizinhos. Lutas são um grande problema em nossas escolas, e as ‘guerras de gangues’ dos adolescentes passaram a apresentar uma séria ameaça em nossas cidades”, lamentou.

“Por que e como toda essa selvageria surgiu em nossa vida social? É porque nos esquecemos das palavras de Jesus: ‘Feliz são os mansos; Porque eles herdarão a terra’. Vi homens resistentes, ásperos e endurecidos abrirem seus corações pela fé, receberem Cristo como Salvador, e tornarem-se cavalheiros gentis, pacientes e misericordiosos”, concluiu, compartilhando parte de sua experiência de quase um século de vida.
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